Para milhões de pessoas com doenças crônicas, a administração diária ou semanal de medicamentos injetáveis faz parte de uma rotina. Isso leva a uma pergunta frequente: por que não podemos simplesmente tomar todos os nossos medicamentos em um simples comprimido?

A caneta e o comprimido 

Para uma poderosa classe de medicamentos conhecida como “biológicos”, produzir um medicamento em comprimido era um enigma científico extremamente desafiador por quase um século – mas nossos cientistas não se intimidaram.

No início dos anos 2000, iniciamos o trabalho para desenvolver versões orais de medicamentos biológicos. Começamos a explorar diferentes vias, inicialmente focadas em insulina e GLP-1. Por meio de esforços de engenharia de proteínas e peptídeos, conseguimos criar o primeiro biológico oral de seu tipo: semaglutida oral para diabetes tipo 2 lançado em 2019. 

Ainda é o único GLP-1 oral no mercado para diabetes tipo 2 no Brasil e, em 2025, a semaglutida em comprimido foi aprovada nos EUA como o primeiro GLP-1 oral para controle de peso.

Mais recentemente, a Novo recebeu a aprovação da Anvisa para o Wegovy® Comprimido no Brasil, ampliando os marcos dessa trajetória de inovação.

Aqui estão três capítulos-chave na história que revelam algumas verdades surpreendentes sobre medicamentos e o corpo humano. 

Seu corpo trata o medicamento como um bife

O desafio fundamental na criação de um medicamento biológico oral é direto. O sistema digestivo do corpo é incrivelmente eficiente em seu trabalho, mas não consegue distinguir entre um medicamento eficaz, à base de proteína, e um pedaço de comida. Uma vez ingerido, o medicamento é tratado como qualquer outra proteína comestível. 

O problema é de identificação: o ácido e as enzimas decompõem os medicamentos biológicos da mesma forma que fazem com um bife – o corpo não discrimina.

Essa simples analogia é poderosa porque ilustra perfeitamente uma complexa barreira científica em um conceito cotidiano. Ela esclarece que o problema não era uma falha no medicamento, mas um conflito fundamental com uma das funções mais essenciais do nosso corpo.

Este é um dilema científico de 100 anos

A busca para transformar medicamentos biológicos injetáveis em comprimidos não é uma ambição nova. Na verdade, representa um dos desafios mais antigos e persistentes da medicina moderna. Os cientistas têm tentado resolver esse problema desde o início dos anos 1920, com alguns dos primeiros esforços documentados focados na criação de uma versão oral de insulina.

Para a Novo, essa antiga disputa de um século também era pessoal. Nosso impulso para desenvolver terapias orais veio diretamente após uma tentativa anterior que não teve sucesso há mais de uma década, quando tentamos desenvolver uma forma inalada de insulina. Tudo isso ressalta  a imensa magnitude de nosso recente avanço, transformando-o de uma simples inovação em uma história de redenção científica.

O segredo não era apenas o medicamento, mas seu guarda-costas

A solução que desenvolvemos exigiu uma chave de duas partes para finalmente desvendar o enigma. O primeiro passo foi projetar um análogo de um medicamento biológico – o hormônio chamado GLP-1, usado em tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade – que era inerentemente mais estável no ambiente agressivo do estômago.

O segundo passo, e o mais crucial, veio através de uma parceria estratégica. Combinamos nosso medicamento com uma “molécula transportadora” chamada SNAC, fornecida por nosso parceiro Emisphere. O SNAC atua como um guarda-costas para o GLP-1. Ele essencialmente fornece ao medicamento uma capa temporária de invisibilidade, neutralizando as defesas do estômago apenas por tempo suficiente para que a preciosa carga seja absorvida pela corrente sanguínea. É uma estratégia engenhosa que explora — de maneira seletiva e transitória — um dos processos fisiológicos mais fundamentais do organismo. 

Conclusão: além do comprimido

Essa jornada centenária rumo à inovação é uma história marcante de persistência científica. Para a Novo, essa conquista vai além de oferecer mais conveniência aos pacientes; ela estabelece um novo padrão para o desenvolvimento de medicamentos futuros mais acessíveis aos que precisam. 

Essa inovação redefine, de forma fundamental, o que hoje é possível. 

BR26CORP00013 / Fevereiro 2026