Imagine ir ao médico por dor no peito e receber apenas um remédio, sem conversar sobre alimentação, nível de estresse, atividade física ou bem‑ estar emocional. Estranho, não é? Isso é o que ocorre quando a obesidade é tratada de forma isolada, focando apenas um aspecto de uma condição que é, por essência, complexa e multifatorial.

A obesidade não se reduz à falta de força de vontade ou a escolhas erradas. Ela é uma doença crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e envolve fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais [1]. Por isso, o tratamento eficaz precisa de uma abordagem multidisciplinar. 

Quando falamos de obesidade, estamos falando de uma condição que afeta mais de 700 milhões de pessoas no mundo todo [2]. No Brasil, os números são igualmente preocupantes: mais da metade dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso, e cerca de 20% já são classificados como pessoas com obesidade [3]. Mas esses números contam apenas parte da história. 

A obesidade é resultado de um desequilíbrio que envolve fatores genéticos, hormonais, metabólicos, comportamentais e ambientais. Até 70% das causas podem estar relacionadas à genética, histórico familiar e etnia [4]. Isso significa que, para muitas pessoas, a predisposição ao ganho de peso está literalmente escrita no DNA. 

Mas a genética é apenas uma peça do quebra-cabeças. O ambiente em que vivemos hoje, com a disponibilidade constante de alimentos ultraprocessados, a falta de acesso a opções mais saudáveis, o estilo de vida sedentário e o estresse crônico, cria um cenário perfeito para o desenvolvimento da obesidade [4]. É como se estivéssemos lutando contra uma corrente muito forte, tentando nadar sozinhos. 

E aqui está o ponto crucial: quando uma pessoa com obesidade perde peso, os hormônios que regulam a fome e a saciedade podem permanecer desequilibrados por muito tempo. É como se o organismo travasse uma batalha interna para voltar ao peso anterior [4]. Não é à toa que duas a cada três pessoas falham em manter os quilos perdidos [4]. Não é falta de força de vontade, é biologia.

A eficácia do tratamento multidisciplinar não é apenas uma teoria, é fundamentada em evidências científicas. Um estudo publicado no American Journal of Translational Research demonstrou que pacientes tratados por equipes multidisciplinares tiveram taxa de sucesso significativamente maior na perda de peso comparados àqueles que receberam tratamento tradicional [7]. 

Os resultados são impressionantes: além da maior perda de peso, os pacientes tratados por equipes multidisciplinares apresentaram melhores níveis de glicose sanguínea, perfil lipídico mais favorável (conjunto de exames que avaliam as gorduras no sangue) e marcadores inflamatórios reduzidos. Mais importante ainda, eles relataram melhor qualidade de vida e maior satisfação com o tratamento [7].

Outro aspecto crucial revelado pela pesquisa é o papel dos médicos generalistas na coordenação do cuidado. Por conhecerem melhor o contexto social, familiar e os hábitos de vida dos pacientes, eles são fundamentais para o sucesso da abordagem multidisciplinar [8]. Isso reforça a importância de ter uma equipe bem coordenada, onde cada profissional conhece seu papel e trabalha em sintonia com os demais.

Estudos mais recentes têm focado especificamente na integração de novos tratamentos farmacológicos com a abordagem multidisciplinar. Uma revisão publicada no Nutrition Bulletin em 2024 destacou a importância do suporte multidisciplinar para otimizar os resultados do tratamento com os agonistas do receptor GLP-1 (hormônio que ajuda a controlar a glicose e o apetite), uma vez que, apesar de sua eficácia comprovada, o tratamento requer suporte multidisciplinar para otimização dos resultados [9]. Os autores enfatizam que estes medicamentos não são uma solução isolada, mas uma ferramenta poderosa que funciona melhor quando integrada a um cuidado abrangente. 

A Novo Nordisk está na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento de tratamentos inovadores para obesidade. Nosso compromisso vai além de desenvolver medicamentos eficazes; buscamos soluções que se integrem perfeitamente a uma abordagem multidisciplinar. 

Os agonistas do receptor GLP-1, por exemplo, representam um avanço significativo no tratamento farmacológico da obesidade. Estes medicamentos não apenas promovem perda de peso substancial, mas também oferecem benefícios cardiovasculares e metabólicos importantes [11]. No entanto, reconhecemos que sua eficácia é maximizada quando utilizados como parte de um tratamento abrangente

Nossa pesquisa clínica continua explorando novas possibilidades. Também estamos estudando como diferentes tratamentos podem ser personalizados com base no perfil individual de cada paciente. 

Mas a inovação não se limita aos medicamentos. Estamos investindo em Programas de Suporte ao Paciente, como o NovoDia, que apoiam diretamente na abordagem multidisciplinar, com a conexão entre pacientes e profissionais de saúde (educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros), entre outros benefícios.

O futuro do tratamento da obesidade é promissor, e a abordagem multidisciplinar será cada vez mais central. Estamos caminhando para uma era de medicina personalizada, onde o tratamento será adaptado não apenas às características clínicas de cada pessoa, mas também ao seu perfil genético, preferências pessoais e contexto social. 

Tecnologias como inteligência artificial e telemedicina ampliam o acesso ao cuidado e ajudam a prever quais intervenções são mais eficazes para cada perfil. Além disso, novas terapias e medicamentos estão sendo desenvolvidos para ampliar as possibilidades de tratamento para o controle do peso. 

Mais do que promover a perda de peso, essa nova forma de tratar a obesidade busca melhorar a qualidade de vida como um todo, com mais acolhimento e efetividade. Na Novo Nordisk, continuamos investindo em inovação, pesquisa e em iniciativas que reforcem a importância do cuidado multidisciplinar, colocando as pessoas e suas necessidades no centro de toda nossa estratégia. 

1. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. 4ª ed. São Paulo: ABESO; 2016. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-DiretrizesBrasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. Acessado em outubro de 2025. 

2. World Health Organization. Obesity and overweight [Internet]. Geneva: WHO; 2022 [cited 2025 Jan 24]. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesityand-overweight Acessado em outubro de 2025. 

3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa nacional de saúde 2019: atenção primária à saúde e informações antropométricas. Rio de Janeiro: IBGE; 2020. 

4. Novo Nordisk. Guia de obesidade para comunicadores. São Paulo: Novo Nordisk; 2024. Disponível em: https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/noticia/Manual_Obesida de_para_Comunicadores_Novo_Nordisk.pdf Acessado em outubro de 2025. 

5. Swinburn BA, Kraak VI, Allender S, Atkins VJ, Baker PI, Bogard JR, et al. Developing dimensions for a multicomponent multidisciplinary intervention for the treatment of childhood obesity. BMC Public Health. 2017;17(1):834.

6. Yu B, Chen Y, Qin H, Chen Q, Wang J, Chen P. Using multi-disciplinary teams to treat obese patients helps improve clinical efficacy: the general practitioner's perspective. Am J Transl Res. 2021;13(4):2571-80.

7. Mechanick JI, Apovian C, Brethauer S, Garvey WT, Joffe AM, Kim J, et al. Understanding and managing obesity: a multidisciplinary approach. In: Obesity Management. London: IntechOpen; 2024. Disponível em: https://www.intechopen.com/chapters/1176701. Acessado: outubro de 2025.

8. Brown A, Mellor D, Makaronidis J, Shuttlewood E, Miras AD, Pournaras DJ. From evidence to practice: insights from the multidisciplinary team on the optimal integration of GLP-1 receptor agonists in obesity management services. Nutr Bull. 2024;49(3):257-63. 

9. Healthcare Research Team. Systematic review: managing obesity with multidisciplinary approaches. Healthcare Bull. 2025;4(1):15-28. 

10. Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, Deanfield J, Emerson SS, Esbjerg S, et al. Semaglutide and cardiovascular outcomes in obesity without diabetes. N Engl J Med. 2023;389(24):2221-32.

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