Por que tanta gente não consegue acessar cuidados de saúde?
Milhões de pessoas vivem com obesidade, diabetes e outras doenças crônicas graves. Já existem tratamentos eficazes, mas muita gente ainda não consegue acessá-los. Às vezes, o remédio é muito caro. Em outras, pode ser preciso percorrer um longo trajeto e até perder um dia de trabalho para consultar um médico e pegar uma receita. Em situações extremas, não há médico por perto, nem posto de saúde, nem o remédio na farmácia.
Hoje, só uma parte das pessoas recebe o tratamento de que precisa — e precisamos reduzir essa distância, para que os medicamentos que produzimos e o cuidado adequado seja acessível a mais gente.
As barreiras são complexas e variam de país para país e de comunidade para comunidade, mas nossa experiência mostra que é possível melhorar.
Nossa ambição é garantir alcance aos medicamentos para pessoas que vivem com obesidade, diabetes e outras doenças crônicas graves, levando em conta diferentes questões relacionadas a acesso e buscando um impacto duradouro.
Levando cuidado a mais comunidades
A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso de tratamentos com análogos de GLP-1 como parte essencial da resposta ao aumento da obesidade e do diabetes¹. Ainda assim, até 2030, só cerca de 1 em cada 10 pessoas que precisa de tratamento para obesidade deve ter acesso.²
O acesso deve depender da necessidade médica, não da renda, escolaridade ou do local onde o paciente mora.¹ Hoje, pessoas em desvantagem social e econômica têm mais chance de viver com obesidade e diabetes — e menos chance de receber cuidado contínuo.¹ Essa desigualdade precisa mudar, e temos um papel em driblar esse desafio.
Trabalhando em parceria
Acesso real e sustentável não é só fazer o medicamento chegar a mais pacientes; envolve trabalhar com parceiros para melhorar como o cuidado é financiado, ofertado e reembolsado. Por isso, atuamos com governos, sistemas de saúde, pagadores, pesquisadores, organizações da sociedade civil e pessoas que vivem com doenças crônicas para ampliar o acesso aos tratamentos com análogos de GLP-1 em comunidades com pouco acesso a serviços de saúde.
Trabalhamos com parceiros locais para testar novos modelos de cuidado, gerar evidências de mundo real e ampliar modelos que funcionam, melhorando a jornada do tratamento. Nosso foco é prático: entender o que dá certo, construir a base para um subsídio mais amplo e apoiar a adoção de longo prazo.
- Dinamarca: em um município onde cerca de 25% dos moradores vivem com obesidade, testamos modelos de financiamento e cuidado que combinam tratamento com mudanças de estilo de vida. O objetivo é orientar futuras decisões de investimento e reembolso.³
- Brasil: em colaboração com o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende cerca de 75% da população, estamos desenhando linhas de cuidado que ampliem o acesso dentro das regras nacionais de reembolso.⁴
- Fiji e Pacífico: em regiões com algumas das maiores taxas de obesidade do mundo, cocriamos modelos voltados para jovens, para enfrentar os riscos crescentes entre adolescentes e fortalecer a intervenção precoce.⁵
O progresso científico só faz diferença quando chega às pessoas. Ao construir evidências com parceiros e fortalecer os sistemas de saúde localmente, trabalhamos para transformar inovação em acesso justo e duradouro, em escala global.
Em 2022, iniciamos uma parceria com a premiada startup social SAS Brasil, dedicada a aumentar o acesso a atendimentos especializados em saúde em municípios de alta vulnerabilidade social no País.
O projeto VIAS - Visão Integrada de Assistência em Saúde tem como objetivo promover educação em diabetes para pacientes e profissionais de saúde, aumentar o diagnóstico e encaminhar para tratamento, otimizar o tratamento de pessoas já diagnosticadas e cadastradas no município e rastrear complicações do diabetes - sempre em parceria com as equipes de saúde locais, fortalecendo o trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente está presente em cinco cidades de três estados: Cruz, Acaraú e Itarema (Ceará), Santo Amaro do Maranhão (Maranhão) e Cavalcante (Goiás). Os atendimentos amplificam os cuidados e o acompanhamento continuado é fundamental para que possam viver com maior entendimento e controle da doença.
Atuando de forma integrada às equipes locais, o projeto garante que as melhorias sejam incorporadas pela gestão dos municípios. Um dos principais diferenciais da atuação da SAS Brasil é o uso de tecnologia como aliada para a geração de impacto, por meio de unidades de telemedicina que viabilizam a realização de consultas e acompanhamento remoto por profissionais de saúde.
Em 2023, o documentário Jornada pela Saúde: falando sobre diabetes, realizado pelo portal Um Diabético em parceria com a SAS Brasil, retratou as ações do projeto e contou as histórias de pacientes do interior do Ceará.
Assista: #Documentário Jornada pela Saúde: falando sobre diabetes
BR24NNG00379 - Março 2026
1. Celletti F, Farrar J, De Regil L. World Health Organization Guideline on the Use and Indications of Glucagon-Like Peptide-1 Therapies for the Treatment of Obesity in Adults. JAMA. Feb 3 2026;335(5):434–438.
2. World Health Organization. WHO guideline on the use of glucagon-like peptide-1 (GLP-1) therapies for the treatment of obesity in adults. World Health Organization: Geneva, Switzerland. 2025.
3. Holmager TLF, Napolitano GM, Esmailzadeh Bruun-Rasmussen N, Jepsen R, Lophaven S, Lynge E. Health and participation in the Lolland-Falster Health Study: a cohort study. BMJ Public Health. 2023;1(1):e000421.
4. Cruz JAW, da Cunha M, de Moraes TP, et al. Brazilian private health system: history, scenarios, and trends. BMC Health Serv Res. Jan 10 2022;22(1):49.
5. Phelps NH, Singleton RK, Zhou B, et al. Worldwide trends in underweight and obesity from 1990 to 2022: a pooled analysis of 3663 population-representative studies with 222 million children, adolescents, and adults. The Lancet. 2024;403(10431):1027–1050.